O cenário offshore no Brasil
Que as perspectivas do setor de produção e exploração de óleo e gás irão crescer nos próximos anos em
função da auto-suficiência, todo mundo já sabe. Na edição passada, trouxemos os índices de crescimento,
ao revelar que pelo menos 20 novas plataformas iriam começar a operar até 2010, sendo 13 delas na Bacia
de Campos. Mas é preciso dizer que estes números extrapolam as barreiras da bacia responsável por 80% da
produção nacional, alcançando do norte ao sul do país, ora no continente, ora no mar e proporcionam mercados
potenciais em todo território brasileiro, em proporções variadas.
Deve-se ressaltar que quando se fala em EeP, é o segmento offshore que responde mais alto: 81% do que produzimos vem do subsolo marinho; 64% das áreas em concessão estão em águas profundas e ultra-profundas; e 90% das reservas comprovadas de petróleo estão no mar, segundo dados divulgados pela PETROBRRAS. E, apesar da Bacia de Campos concentrar o maior volume destes índices, os atuais investimentos em pesquisas e exploração na áreas concedidas em outras bacias como a de Ceará-Potiguar, Camamu-Almada (BA), Espírito Santo e Santos revelam que estas são – ora estreantes, ora renascendo – grandes fontes de negócios.
Basta analisar o quadro das principais descobertas da PETROBRAS no período de 2002 a 2005 para avaliar o potencial de cada uma delas: gás em Manati, na Bahia; gás natural e óleo leve em Santos, com o bloco BS-500 e no campo de Mexilhão; o mesmo ocorrendo no Espírito Santo, com o Campo de Golfinho; mais óleo do tipo pesado nos Campos de Caxalote, Jubarte e no complexo das Baleias e óleo leve no campo de Roncador, na Bacia de Campos; e por aí segue.
E o que estes dados representam? Que os alarmes sobre o fim próximo do petróleo brasileiro, principalmente no estado do Rio de Janeiro, são falsos e que o mercado está extremamente aquecido não só para as grandes investidoras do setor, mas também para os fornecedores de bens e serviços de todo o país, que estejam bem informados e preparados para antender a essa nova demanda.
O cenário da Bacia do Espírito Santo
Qual a situação da atividade de EeP?
Na Bacia do Espírito Santo, são cinco campos offshore – Cangoá, Canapú, Cação, Peroá e Golfinho. Mas a UN-ES da PETROBRAS responde ainda por cinco campos localizados na Bacia de Campos. A Bacia do ES opera com três plataformas do tipo fixa e um navio-plataforma FPSO Capixaba. Durante o lançamento do navio, o presidente da PETROBRAS, José Sérgio Gabrielli, anunciou que o estado será local prioritário para investimentos da empresa nos próximos anos, principalmente na área do gás natural.
E como se apresenta o mercado local de fornecimento?
Isso mostra que a Bacia tende a se desenvolver com rapidez. As empresas locais estão atentas a este mercado, mas pela falta de tradição no segmento, vêm encontrando dificuldades. “Existem ações para aproximá-las da PETROBRAS, mas na maior parte das vezes, a PETROBRAS acaba tendo que contratar empresas de grande porte e com experiência no segmento em nível nacional que não têm base aqui”, conta o engenheiro de petróleo da Unidade de Negócios do Espírito Santo (UN-ES), Ricardo Coelho Santos. “Na construção da P-34, por exemplo, quase nenhum fornecedor do projeto é capixaba”, completa.
Segundo Ricardo, o estado tem recebido muitas empresas da Bacia de Campos e de outras regiões do país, que são atraídas pelo crescimento das demandas e por incentivos fiscais que o estado oferece, como o Redepetro. Trata-se de um documento fiscal decretado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que elimina o pagamento de impostos sobre importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural. Com ele, as empresas podem usar equipamentos vindos de fora por um período, como se fosse um empréstimo, desde que em embarcações internacionais.
Esta situação acirra a concorrência no setor e faz os fornecedores capixabas buscarem alternativas. O IEL (instituto ligado à Federação das Indústrias para aproximar o setor produtivo e as instituições de ensino e pesquisa), por exemplo, coordena o “Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (PRODFOR), que entrega um selo anual aos melhores fornecedores locais.
Existe ainda constante negociação por parcerias com o Governo do Estado, além do apoio recebido através do convênio Sebrae-Petrobras. “A gestão ainda é o maior problema no mercado capixaba, pois a maioria das empresas é familiar. Só agora elas estão buscando treinamento para ter a gestão necessária de um fornecedor, com SMS e Responsabilidade Social”, analisa a gestora do Projeto de Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás do Sebrae-ES, Maíra de Castro.
Fonte: Revista Negócios Offshore Oil e Gás – Ano2 N°5 – Setembro/Outubro 2006.